segunda-feira, 18 de maio de 2020

Musônio Rufo e a distinção eph´hemin





Musônio Rufo, fragmento 38



A distinção ente coisas que estão e não estão sob nosso encargo, também traduzida por que estão ou não sob nosso controle ou poder (eph´hemin kai ouk eph´hemin em grego) aparece explicitamente no estoicismo pela primeira vez no filósofo estoico romano Musônio Rufo (30 ~ 100 EC), que foi professor de Epicteto, como nos atesta o fragmento 38 de Musônio, traduzido abaixo:

Das coisas existentes, umas Deus pôs sob nosso controle, outras não. Sob nosso controle está a mais bela e virtuosa, aquela pela qual ele próprio também é feliz: o uso das impressões, pois que, dando-se corretamente, é liberdade, serenidade, confiança; como também justiça, lei, prudência e a virtude por inteiro. Todas as outras coisas não foram feitas sob o nosso controle. Então, não seria também necessário nos colocar de acordo com Deus e, dessa maneira distinguindo as coisas, esforçarmo-nos de todos os modos pelas que estão sob o nosso controle, e as que não estão, confiar ao Cosmos, cedendo-as alegremente, mesmo se [ele] requisitasse os filhos, a pátria, o corpo, ou o que for?
(Tradução do grego: Aldo Dinucci e Alfredo Julien)

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Diógenes lavando alfaces





Alguns dizem que também estes <ditos> são dele, que Platão,
tendo visto Diógenes lavando alfaces e se aproximado dele,
dissera~lhe sussurrando: “Se servisses ao <tirano> Dioniso, não lavarias alfaces;”
ao que Diógenes, igualmente sussurrando,
lhe respondera: “E tu também, se lavasses alfaces, não servirias a Dioniso.”


ἔνιοι δὲ τούτου φασὶν εἶναι κἀκεῖνο, ὅτι

Πλάτων θεασάμενος αὐτὸν λάχανα πλύνοντα, προσελθὼν ἡσυχῆ
εἴποι αὐτῷ, “εἰ Διονύσιον ἐθεράπευες, οὐκ ἂν λάχανα ἔπλυνες·”

τὸν δ' ἀποκρίνασθαι ὁμοίως ἡσυχῆ, “καὶ σὺ εἰ λάχανα ἔπλυνες, 
οὐκ ἂν Διονύσιον ἐθεράπευες.”  

Diógenes Laércio, 6.58 (Tradução: Aldo Dinucci)

domingo, 10 de maio de 2020

Diógenes e as piores feras














Ao ser indagado qual das feras tem a pior mordida, <Diógenes, o cão,> disse:
“Dentre as selvagens, o caluniador, dentre as domesticadas, o adulador.” 

ἐρωτηθεὶς τί τῶν θηρίων κάκιστα δάκνει, ἔφη, “τῶν
μὲν ἀγρίων συκοφάντης, τῶν δὲ ἡμέρων κόλαξ.”



(Diógenes Laércio, Vida dos Filósofos Ilustres 6.51. Tradução: Aldo Dinucci)

Koinōnía ― grupo de leitura e convivência humanística







Koinōnía ― grupo de leitura e convivência humanística



Excelente Iniciativa de Donato Ferrara!



quinta-feira, 7 de maio de 2020

Encheiridion de Epicteto ~ Edição Bilíngue



Kairós








Poseidipos (séc. 3 a.C.), XVI, 275 

– Quem e de onde é o escultor? 
– De Sícion. 
– Qual é o nome dele? 
– Lisipo. 
– E quem és tu? 
Kairós, o que a tudo submete. 
– Por que andas nas pontas dos pés? 
– Estou sempre correndo. 
– Por que possuis asas duplas nos pés? 
– Voo ao abrigo do vento. 
– Por que levas na mão direita uma navalha? 
– Mostro aos homens que sou mais agudo que qualquer objeto cortante. 
– Por que mechas caem sobre os teus olhos? 
– Por Zeus, sou agarrado quando estou passando. 
– Por que és calvo atrás? 
– Pois, uma vez tendo passado com os pés voadores, ninguém, ainda que queira, me agarrará por trás. – Por qual razão o artesão te modelou? 
– Por vós, ó estranho: e colocou-me no vestíbulo como um ensinamento.
(Tradução do Grego Antigo: Dr. Aldo Dinucci)

Para maiores informações sobre a noção grega de Kairós (que cumpre um papel importante no estoicismo), vejam aqui meu texto a respeito.



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